Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente" [ Chico Xavier ]


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Trigo: o cereal mais popular do mundo é também o ingrediente alimentar mais destrutivo



Essa é a segunda parte da introdução que traz questões ainda mais preocupantes com relação ao consumo do trigo.

Você verá que o que estamos comendo, habilmente disfarçado como um bolinho de farelo ou uma ciabatta de cebola, não é, de modo algum, trigo realmente, mas um produto transformado, resultante de pesquisas genéticas realizadas durante a segunda metade do século XX.

O trigo moderno tem tão pouco a ver com o trigo verdadeiro quanto um chimpanzé tem a ver com um ser humano. Embora nossos peludos parentes primatas compartilhem 99% dos genes humanos, com seus braços mais longos, seu corpo coberto de pelos e sua menor capacidade para ganhar o prêmio acumulado num programa de perguntas e respostas, tenho certeza de que é muito fácil perceber a diferença que esse 1% representa. O trigo moderno, numa comparação com seu antepassado de apenas 40 anos atrás, consegue ser ainda mais diferente.

Creio que o aumento do consumo de grãos – ou, mais precisamente, o aumento do consumo dessa coisa geneticamente modificada conhecida como trigo moderno – explica o contraste entre as pessoas sedentárias e esguias da década de 1950 e as pessoas com sobrepeso doséculo XXI, incluindo os triatletas.

Reconheço que afirmar que o trigo é um alimento pernicioso é como dizer que Ronald Reagan era comunista. Pode parecer absurdo, até mesmo pouco patriótico, rebaixar um simbólico gênero de primeira necessidade à condição de perigo para a saúde pública. Mas pretendo provar que o cereal mais popular do mundo é também o ingrediente alimentar mais destrutivo.

Efeitos peculiares do trigo nos seres humanos, já documentados, incluem a estimulação do apetite, a exposição do cérebro a exorfinas (equivalentes às endorfinas, produzidas internamente), picos exagerados de açúcar no sangue que acionam ciclos de saciedade alternados com um aumento do apetite, a glicação, processo que está por trás de algumas doenças e do envelhecimento, inflamações e alterações de pH, que provocam o desgaste de cartilagens e prejudicam os ossos, e a ativação de distúrbios nas respostas imunológicas.

Uma complexa série de enfermidades resulta do consumo de trigo, desde a doença celíaca, devastadora enfermidade intestinal desencadeada pela exposição ao glúten, até uma variedade de transtornos neurológicos, diabetes, doenças cardíacas, artrite, estranhas urticárias e os delírios incapacitantes da esquizofrenia. Se essa coisa chamada trigo é um problema de tamanha importância, removê-la da alimentação deveria gerar benefícios extraordinários e inesperados. De fato, é o que ocorre.

Como cardiologista que atende e medica milhares de pacientes ameaçados por doenças cardíacas, pelo diabetes e pelos inúmeros efeitos destrutivos da obesidade, observei pessoalmente que, quando meus pacientes eliminavam o trigo de sua alimentação, a gordura da barriga protuberante, que se derramava por cima do cinto, desaparecia, e que, geralmente, ocorria uma perda de peso de 10, 15 ou 25 quilos já nos primeiros meses.

Essa perda de peso rápida e sem esforço costuma ser acompanhada de vantagens para a saúde que ainda hoje me surpreendem, mesmo depois de eu ter presenciado esse fenômeno milhares de vezes. Testemunhei drásticas reviravoltas em saúde, como o caso de uma mulher de 38 anos que sofria de colite ulcerativa e se via diante da possibilidade de remoção do cólon e que se curou com a eliminação do trigo, mantendo o cólon intacto. Ou o de um homem de 26 anos, incapacitado, que mal podia andar por causa de dores nas articulações, que experimentou alívio total e voltou a andar e correr livremente, depois que retirou o trigo de seu cardápio.

Ainda que esses resultados possam parecer raros, há uma vasta pesquisa científica que aponta o trigo como a raiz desses males – e indica que a remoção do trigo da alimentação pode reduzir seus sintomas ou eliminá-los completamente. Você verá que, inadvertidamente, trocamos saúde por conveniência, abundância e baixo custo, como comprovam as barrigas e coxas volumosas e as papadas, todas decorrentes do consumo de trigo.

Muitos dos argumentos apresentados por mim nos próximos capítulos foram comprovados em estudos científicos que estão disponíveis para todos aqueles que quiserem consultá-los. É incrível, mas muitas coisas que aprendi foram observadas em estudos clínicos há décadas. No entanto, por alguma razão, elas nunca atingiram a consciência da classe médica ou do público. Eu apenas reuni alguns conhecimentos e cheguei a certas conclusões que você pode considerar espantosas.
Willian Davis 

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